on-line de alta cultura.
Subversivo, pós-revolucionário e viciante.”

 

Pesquisar

 

Redes sociais

Facebook Nicotina Myspace Nicotina

Pub

Voltar a Acreditar

Vivemos tempos estranhos de falta de sentido do dever público a par de grandes dificuldades dos cidadãos, principalmente daqueles que não dispõem de engenhos que lhes permitam ter voz, deixando-os indefesos perante quem dirige as questões de Estado. Não é, ao contrário do que muito se ouve, uma questão de falta de princípios na coisa política, mas antes uma outra, relacionada com a deficiente ética e a preparação cívica dos políticos no activo. Não é, igualmente, uma questão de regime ou de falta de instrumentos para manutenção do Estado de Direito exigidos pelos conceitos da democracia, liberdade e solidariedade, mas uma constante incapacidade dos detentores do poder em conseguirem concentrar-se naquilo que interessa aos seus representados.


Os agentes políticos, ao mergulharem insistentemente na baixa e medíocre política ultra-provinciana do mexerico e da coscuvilhice, trazem para a frente de batalha não as soluções dos problemas, mas a espuma da suspeição e do boato, dando forma às mais primárias acções de contra-informação e à camuflagem das suas incapacidades para o essencial, isto é, para a solidariedade que as questões da crise obrigam, para o vencimento desta crise através de incentivos ao desenvolvimento da economia real e legal, para estancar o descalabro do desemprego através da ausência de ideias que promovam o auto-emprego e a criação inovadora de postos de trabalho, para impor a celeridade e a eficácia da justiça através de soluções universalmente aceites que façam funcionar o respeito pela independência do poder judicial em relação aos outros poderes, para desmobilizar as más vontades na questão da educação e da formação que proporcionem caminhos eficazes para a obtenção de competências e respectiva certificação de habilitação académica com reconhecimento do mercado do trabalho, para perspectivar geracionalmente melhor e mais sólido emprego baseado na certificação capaz de fomentar arrojo, iniciativa e desenvolvimento da massa crítica e científica e, finalmente, pela resolução consensual do combate à corrupção que exige da investigação judiciária e da justiça, eficácia, eficiência e mão-dura, fomentando o controlo do aparelho de Estado e das empresas por si dirigidas.

A pouco mais de um ano da escolha do novo Presidente da República começa a ser tempo de se esboçar o perfil de quem queremos que venha a ser o garante do interesse dos cidadãos e do interesse nacional. Urge que se garanta que o próximo Presidente da República seja uma entidade em que o povo português se reveja ética e consistentemente, o que não implica neutralidade política mas recusa ao engajamento nas máquinas partidárias. Alguém que não envolva ou se deixe envolver na “partidarite” e no jogo de pequenas políticas e em que se confie um juízo pertinente capaz de reunir vontades e impor aos poderes não eleitos rumo sustentado na defesa da qualidade e da decência.


Portugal tem urgência de ser mais Europa, de se rever na normalidade dos benefícios que podem advir da civilização que as velhas democracias europeias há muito estabeleceram como padrão de civilidade e cultura.


Urge fazê-lo, para voltar a acreditar neste País.

Crónica por: Luís Novaes Tito

4-01-2010